domingo, 11 de abril de 2010

Definição do único tipo de ética que aceito:

Qualquer conjunto de regras, código ou valores que não necessita da participação das outras pessoas para que se possa cumprir.

Se eu tiver o princípio de não mentir não vou ficar à espera que as outras pessoas façam o mesmo para eu obedecer a esse princípio. Seria aí que começaria a "moral", ou seja, a necessidade de que os outros se comportassem de uma determinada maneira para eu me comportar da minha.

Se eu acredito que existe uma coisa chamada "bom senso" então não é ao "bom senso" dos outros que eu devo apelar mas ao meu. Por exemplo, se eu ler um livro de um neonazi, o mais normal seria eu descarregar o meu incómodo pela leitura na condenação do escritor pela sua, pensaria eu, falta de bom senso. Mas o facto é que ele ter ou não bom senso é um problema dele. É com aquilo que eu vou fazer com o que leio que devo estar preocupado. Nesse sentido é a mim que devo responsabilizar pelo que fizer com a ideias do autor, não ao autor. Tal procura de bode expiatório é que muita gente faz com escritores como Marx, Nietzsche e Maquiavel que, pela sua popularidade, são citados a tordo e a direito em contextos políticos.

Isto pode parecer simples demais para precisar de ser dito mas eu acho que esta é, na prática, a principal distinção entre ética e moral.

Para além do mais, a ética beneficia da experiência. Tal como o guerreiro que se torna mais forte quanto mais anda à porrada, também os códigos se tornam mais úteis quanto mais forem confrontados com a vida. Ao contrário da moral que busca uma cristalização dos códigos, a ética admite evolução e fortalecimento.

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