quarta-feira, 5 de maio de 2010

A beleza não é assim tão relativa...


Existe uma ideia que, para mim, é um mito. É a ideia de que a beleza feminina é relativa, que é um conceito efémero e dependente das modas, tendências e circunstâncias sociais. São as pessoas que acreditam nisto que afirmam que o que é mito é a ideia da beleza universal. Eu também não vou tão longe em afirmar que exista esse conceito. Para mim, as tipos de formas femininas que podem estar dentro do conceito de beleza podem ser milhões. Mas isso não implica que seja relativa a modas e circunstâncias sociais. A beleza é relativa, isso sim, às outras características que a mulher tenha. Se for alta, certas formas são mais adequadas, se for baixa, outras serão. Não existe nenhuma mulher que tenha o modelo perfeito mas isso não significa que o conceito de beleza seja relativo. Seria relativo se fosse impossível prever o gosto de um homem a não ser por determinação das tais circunstâncias sociais. Mas a verdade é que Camões, que era muito dado às portuguesas, não se fez rogado perante as africanas nem perante as japonesas. E talvez seja importante lembrar que os portugueses, como Pero Vaz de Caminha, viram as indígenas brasileiras, disseram simplesmente que eram mais belas que as do seu próprio país e civilização que conheciam. Estranho terem nascido em determinadas circunstâncias sociais e depois terem uma opinião que não corresponde à que foram habituados a ter... a beleza está tão determinada por factores temporais e geográficas (como se diz na wikipédia com toda a calma e serenidade) que quando os povos ocidentais foram diminuindo o seu inicial racismo e repugnância pelos povos "selvagens", as mulheres ocidentais começaram a tentar adaptar-se a algumas características das mulheres "selvagens": pele mais morena, corpo mais tonificado, etc. E quando o catolicismo sexual começou a perder a sua força, essas mesmas mulheres ocidentais começaram a render-se aos padrões referentes a tudo o que diz respeito ao sexo, ou seja, os traços que sugerem fertilidade, saúde e parecer ter 15 anos do pescoço para baixo. Tudo isto foi o redescobrir de um conceito de beleza nada relativo, apenas mais cruel e sugestivo de que "não há esperança para todas".

Fala-se muito no exemplo (e quase apenas só nesse exemplo) das fases da humanidade em que as mulheres gordas eram consideradas as mais belas. Apesar dos casamentos serem arranjados, a opinião das pessoas pouco contar e tudo ser feito com base nas perspectivas de sobrevivência, pensa-se poder ter uma opinião sobre o que as pessoas gostavam realmente nessa altura. Fala-se muito nas mulheres do renascimento em geral. Mas a verdade é que quem acha que as mulheres nas pinturas renascentistas são gordas é porque já está influenciado por uma referência anoréctica. Quanto às mulheres de Rubens, basta ver as pinturas de todos os outros seus contemporâneos para perceber que ele representa a excepção e não a regra. Aliás, nem nas sua obras as mulheres são constantes nesse aspecto da gordura. E as gordas nunca chegam a ser exageradamente gordas.

Eu, no meu caso, posso dizer que odeio mulheres muito magras, ou digamos, com poucas curvas. Não tenho nada contra elas e até as posso achar giras, mas o facto de serem magras e muito "direitas" na silhueta não me entusiasma (excita) muito. Se a escolha fosse entre uma anoréctica influenciada pelos padrões determinados pelos cabides ambulantes das passereles e uma rechonchuda, não precisaria de pensar muito. Lá porque hajam modas, não significa que elas determinam o que os homens gostam. Não, o que elas fazem é "substituir" o que os homens gostam. Se os homens divergem quando toca a dizer "qual é a mais gira" já não divergem tanto quando toca apenas a dizer se uma é simplesmente "gira". A quantidade de raparigas que eu achava mais giras se não fizessem nada ao cabelo, à cara ou ao corpo é incontável. Essas raparigas existem. As modas e os supostos "padrões culturais" mais não servem do que para "dissolver" a clareza com que a natureza informa. Como se poderia gerir a manutenção de poder se se deixasse as opiniões do povo ao acaso da natureza? Se, na idade média, no seio de uma família de camponeses nascesse uma "sofia loren" isso poria em causa o respeito pela beleza da rainha e pelos trapos e enfeites majestosos que ditavam a sua superioridade. Mas desde que os "credores reais" pudessem contar com umas cambalhotas na parte de trás do celeiro com a camponesa, tudo corria bem.

O exemplo das brasileiras é, para mim, elucidativo, pois corresponde a uma etnia que vive numa zona abundante em recursos que chegam perfeitamente para a vida rudimentar que levam. Por um lado não são influenciados por "critérios de desespero" como sejam o de "quando mais gorda melhor" e por outro, não estão ainda suficientemente sujeitos a influências políticas e hierárquicas (ou como nós, hoje em dia, pelo mercado) na opinião das pessoas.

O que eu acho é que na nossa sociedade existe uma tal confusão de instintos e opiniões que há pessoas que acreditam mesmo que a mulher da passerele pode ser um ideal de beleza ou que a mulher que parece feita de plástico e tem umas mamas maiores que a própria cabeça espetadas como se não houvesse gravidade também pode. Eu nunca achei nem um nem outro conceito particularmente atraente, embora eles tenham estado, nos últimos anos, "na moda" e no mercado.

Uma grande parte dos homens não tem auto-confiança (e no passado não tinha estatuto) para ter opinião própria, ainda por cima num assunto tão sensível à sua masculinidade. E os "democratas" da beleza e tolerantes para com todas as opiniões, ao repararem como muitos homens cedem a uma determinada corrente no seu gosto por se sentirem mais seguros de estarem integrados no "gosto médio dos homens", decretam sem mais, que a beleza real não existia à partida.

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